Querida indecisão

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Ah, querida indecisão que consome e corrói cada parte do meu corpo todos os dias. Dúvidas e perguntas rondam minha cabeça, me tonturam, me torturam, mas a uma decisão não chego.

Ah, querida indecisão que nunca se decide. Já apelei para todos os caminhos: razão, sentimento e até uni-duni-tê. Mas nosso laço é tão forte, tão natural, que esses caminhos se enlaçam e só fazem me confundir ainda mais.

Ah, querida indecisão que já até virou rotina. Acordo ou durmo? Como ou bebo? TV ou internet? Às vezes, a contorno e faço duas opções. Mas, mais para frente, ela se vingará e me fará escolher sem negociação.

Ah, querida indecisão. Minha grande amiga, minha arquiinimiga. Você já faz parte de mim, gravada como uma tatuagem em minha pele, sem chance de estorno. Mas vá embora, não te quero. Porém, fique, já não me vejo sem você. Como faço para escolher?

Ah, querida indecisão. Por que diabos nasceu comigo, minha marca de nascença? Você se infiltrou em meu sangue, envenenou meus sentidos e tomou conta de mim. Agora já não posso mais contigo. Tenho que aprender a viver em seu sentido. Nesse ciclo interminável de sim ou não, isso ou aquilo!

Ah, minha queridíssima maldita indecisão.

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O lado bom da vida

Por toda minha vida, sempre que eu estava para baixo, alguém vinha com a famosa frase “veja o lado bom disso”. Nunca aceitei esse lado bom; achava que era a maior besteira, que as pessoas só costumavam me dizer aquilo para levantar meu astral (coisa que, como vocês devem imaginar, não acontecia) e que não era possível haver um lado bom quando uma coisa tão ruim estava acontecendo.

Conforme fui crescendo, aprendi a ver o mundo de uma maneira diferente. Passei por uma situação extremamente complicada e triste em minha vida e fui desestimulada totalmente em acreditar que existisse um lado bom – qualquer que fosse – na vida.

Eu costumo comparar esse período como um mergulho. Eu afundei nas águas de uma piscina, indo cada vez mais fundo, só vendo parede ao meu redor, exceto na superfície, onde outras pessoas conseguiam se divertir sem preocupações. Aquela, porém, era quase uma outra vida, um outro mundo. Uma visão embaçada. Foi quando atingi o fundo, no entanto, que percebi que só sairia dali se fosse em direção àquela superfície tão, aparentemente, distante.

Voltar à superfície foi o modo que minha mente encontrou de parar de se fechar tanto para aquela situação e clarear, se redescobrir. Aos poucos, o medo foi passando e o lado bom – sim, ele mesmo! – de tudo o que acontecera comigo finalmente se fez presente. Ou, pelo menos, visível. E é aí que começam as suposições.

Se eu não tivesse passado por tudo aquilo, eu nunca teria amadurecido tanto. Poderia ter me misturado com certas pessoas que na época eu “admirava” e me tornado fútil e completamente oca. Se eu não tivesse sofrido tudo o que sofri, nunca teria aprendido a me livrar dos meus sentimentos com a escrita. Poderia ter esquecido esse meu talento, o deixado de lado para sair, beber e não me preocupar com os estudos.

Em vez disso tudo, relembrei de minha maior paixão, me agarrei aos meus livros, conheci visões e conceitos diferentes de vida e aprendi a pensar por mim mesma, sem me deixar levar pelo que os outros acham.

Posso não ter conseguido chegar totalmente à superfície ainda, mas, com certeza, já aprendi o suficiente para entender que tudo na vida acaba levando a um propósito, seja ele bom, seja ele ruim. Porque, no final das contas, todos os acontecimentos são um aprendizado. E pode até ser que você não veja isso agora, mas, no futuro, quando chegar à sua superfície, vai piscar os olhos e ver tudo o que, debaixo d’água, sua mente te impediu de enxergar.

Razão de uma vida

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Sob o céu estrelado dessa madrugada fria
Lembro-te. Amo-te. Sinto-me nostálgico.
Ouço uma linda melodia
Enquanto nossa história versifico.

Há algum tempo recaíram meus olhos em você
E impossivelmente vieram minhas razões de viver
Como um grito. Agudo o suficiente para me ensurdecer
E só restar você. Meu incrível amanhecer.

Na tua ausência, escureço
Na tua presença, floresço
E se te beijo, desfaleço

Mas se te vejo sofrer
Com minha felicidade presentearia-te
E enclausuraria-me para mais uma vez teu sorriso ver

Fome de amor

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O que temos visto por aí?

Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes. Com suas danças e poses em closes ginecológicos, cada vez mais siliconadas, corpos esculpidos por cirurgias plásticas, como se fossem ao supermercado e pedissem o corte como se quer… Mas? Chegam sozinhas e saem sozinhas… Empresários, advogados, engenheiros, analistas, e outros mais que estudaram, estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos… Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos “personal dancer”, incrível. E não é só sexo não! Se fosse, era resolvido fácil, alguém dúvida? Sexo se encontra nos classificados, nas esquinas, em qualquer lugar, mas apenas sexo! Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem, necessariamente, ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico na cama… Sexo de academia… Fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão “apenas” dormir abraçadinhos, sem se preocuparem com as posições cabalísticas… Essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega. Pode fazer tudo desde que não interrompa a carreira, a produção…

Tornamo-nos máquinas, e agora estamos desesperados por não saber como voltar a “sentir”. Só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós… Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada nos sites de relacionamentos “Orkut”, “Par-Perfeito” e tantos outros. Veja o número de comunidades como: “Quero um amor pra vida toda!”, “Eu sou pra casar!” até a desesperançada “Nasci pra viver sozinho!” Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários, em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.

Se olharmos as fotos de antigamente, pode ter certeza de que não são as mesmas pessoas, mulheres lindas se plastificando, se mutilando em nome da tal “beleza”… Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento, e percebemos a cada dia mulheres e homens com cara de bonecas, sem rugas, sorriso preso e cada vez mais sozinhos… Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário… Pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso ter a coragem de encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa… Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia isso é julgado como feio, démodê, brega, famílias preconceituosas…

Alô, gente! Felicidade, amor, todas essas emoções fazem-nos parecer ridículos, abobalhados… Mas e daí? Seja ridículo, mas seja feliz e não seja frustrado… “Pague mico”, saia gritando e falando o que sente, demonstre amor… Você vai descobrir, mais cedo ou mais tarde, que o tempo pra ser feliz é curto e cada instante que vai embora não volta mais… Perceba aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, ou talvez a pessoa que nada tem haver com o que imaginou, mas que pode ser a mulher da sua vida… E, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois… Quem disse que ser adulto é ser ranzinza? Um ditado tibetano diz: “Se um problema é grande demais, não pense nele… E, se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele?” Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo, assistir desenho animado, rir de bobagens ou ser um profissional de sucesso, que adora rir de si mesmo por ser estabanado… O que realmente, não dá é para continuarmos achando que viver é in ou out… Que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo, que temos que querer a nossa mulher 24 horas maquiada e que ela tenha que ter o corpo das frutas tão em moda na TV, e também na playboy e nos banheiros. Eu duvido que nós, homens, queiramos uma mulher assim para viver ao nosso lado, para ser a mãe dos nossos filhos. Gostamos, sim, de olhar, e imaginar a gostosa, mas é só isso. As mulheres inteligentes entendem e compreendem isso. Queira do seu lado a mulher inteligente: “Vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois, ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida”… Por que ter medo de dizer isso? Por que ter medo de dizer: “amo você”, “fica comigo”?

Então, não se importe com a opinião dos outros, seja feliz! Antes ser idiota para as pessoas que infeliz para si mesmo.

Arnaldo Jabor

Receita da felicidade

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Felicidade é sentimento que dá e passa. No entanto, é um momento de paz que muitos anseiam sentir, mesmo que por míseros segundos. Todos querem a fórmula da felicidade. E quer saber? A verdade é que não há uma. Há várias. Elas variam de acordo com cada pessoa, com cada gosto, com cada personalidade. Cada um cria a sua própria felicidade. Muitos não fazem idéia e por isso passam a vida toda procurando. E não acham nada.

Viva. Mas viva de verdade, porque quando você ficar mais velho vai se arrepender de não ter feito muita coisa.

Viaje. Nos pensamentos e para outros lugares.

Saia. Com os amigos ou sozinho. Para o shopping ou para a balada.

Beije muito na boca. Fique. Namore. Brigue. Termine. Reconcilie. Faça tudo a seu gosto, mas não esqueça de viver a realidade de vez em quando.

Trabalhe. Dinheiro é bom e todo mundo gosta. Mas não deixe o dinheiro subir à cabeça. Dinheiro compra felicidade e ainda financia, mas cuidado: os juros são altos.

E não se esqueça (jamais!) de sorrir. Sorrir é um exercício facial, ótimo. Previne as rugas.

Faça o que der na telha, o que tiver vontade, o que sempre quis.

Independente de idade. Tire férias. Antes de dormir, sorria mais um pouco e lembre-se dos momentos felizes, pois se você não acordar, já terá percebido o quanto valeu a pena viver.

O primeiro dia do resto de nossas vidas

Ela ergueu seus olhos novamente e viu, pela primeira vez, um ato em resposta da parte dele. Um sorriso sincero se abriu em seu rosto bonito, tão diferente da maioria dos que ali se encontravam. Foi essa mesma dessemelhança que o destacou, chamando a atenção dela no instante em que seu olhar o avistou. E desde então, de tempos em tempos, o observava, analisando-o. Vira-o pegar água e mais água, em vez das bebidas alcoólicas mais pedidas. Vira-o mover-se de um lado para o outro sem sentir necessidade de uma dança mais extravagante. Vira-o dispensar as garotas atrevidas que iam até ele.

E agora ele sorria para ela.

Ela sentiu seu rosto enrubescer e abaixou-o rapidamente. Não pretendia que ele a avistasse. Ele era bonito demais, diferente demais, legal demais. Por que quereria qualquer coisa com ela?

Arriscou um olhar de esguela e percebeu que ele não estava mais lá. Suspirando, decepcionada, tentou voltar sua atenção para as amigas animadas, que dançavam para se exibir e competiam para ver quem beijava mais garotos.

Mas um corpo alto e pouco musculoso atrapalhou sua visão.

Ela ergueu o rosto e quase perdeu o fôlego quando encontrou aqueles olhos que ela estivera observando a noite inteira.

– Oi – disse com o mesmo sorriso de antes.

E isso bastou para ela perceber que estava perdida. Nada nunca mais seria o mesmo depois daquele sorriso. Nada nunca mais seria o mesmo depois daquele garoto.

Ela sorriu de volta, sem acreditar. E ele percebeu que era ela quem ele sempre estivera esperando.