Incompreensível personalidade

Não entendo: essa necessidade de você. Ou você. Ou você. Qualquer um que preencha esse vazio. Que vazio? Esse desespero por amor. Amor que não dôo. Carinho que desconheço.

Não entendo: essa frieza, facilidade de desapego. Paixão pelo impossível. Vontade de sofrer. Masoquismo: despedaçar meu coração com minhas próprias mãos. Sou uma caçadora – à procura da presa mais fácil para me magoar.

Não entendo: essa incapacidade de mudar, essa vontade de gostar. Medo medo medo, vá embora. Deixe-me viver. Sofrer na hora certa. Amar a pessoa certa.

Não quero: essa vida, esse coração, esse mundo; terrível indisposição.

Socorra-me. Acorda-me desse pesadelo. Quem procuro, já descobri: salvador da pátria e de minha alma, só me falta te encontrar.

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Novidades

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Oi, gente! Eu sei que ando meio sumida (preguiça rules), mas queria compartilhar com vocês uma coisa incrível que aconteceu essa semana comigo.

Pra quem não sabe, desde pequena, eu gosto muito de cantar, mas nunca cheguei a levar o hobby mais a sério (apesar de querer). Já cantei uma vez no aniversário de 15 anos de uma prima, mas foi só e olhe lá. Mês passado, porém, minha professora de francês nos avisou sobre a Fête de la Musique, que foi criado em 1982 com o intuito de “festejar os milhões de músicos amadores do país na época, que foram convidados a, naquele dia, ocupar as ruas durante meia hora para mostrar sua arte”. E, desde então, todo ano ele acontece, não só na França, mas no mundo inteiro.

Eu já havia ido à Festa da Música antes, porém somente como espectadora, mas, não sei por que, senti uma vontade imensa de participar. Me inscrevi, ensaiei e, segunda-feira, 21 de junho, finalmente me apresentei. Preciso dizer que foi incrível?

Queria compartilhar meu vídeo com vocês e saber sua opinião. Podem ser sinceros, ok? Eu aguento! haha E desculpem, mas minha mãe não conseguiu filmar tudo, acabou ficando cortado.

Eu, cantando Je Ne Sais Pas, da Joyce Jonathan.

E também um videozinho de hoje:

Eu, cantando Garoto Errado, da Manu Gavassi.

E aí, o que acharam?

Além da amizade – Sinopse, Link e Capítulo 1

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Para os que ainda não sabem, eu escrevia um livro e postava-o na internet, em uma comunidade do Orkut. Depois de terminado, passei pouco tempo em sua página, mas sentia que a história ainda precisava ser corrigida, cortada em certas partes e refeita para que se tornasse digna de leitura.

Depois de muita enrolação, finalmente resolvi reativar a comunidade e dedico esse espaço para a postagem do primeiro capítulo do livro. Àqueles que se interessarem, segue à baixo a sinopse, o trailer e, no fim do post, também a página do livro-virtual.

Espero que gostem!

Além da amizade
Será que no jogo do amor realmente vale tudo?

“Além da amizade” conta a história da carioca Anna Schwartz: sua vida, seus relacionamentos e seu jeito de enfrentar as situações cotidianas.
Cercada de pessoas especiais, Anna não poderia querer vida melhor. Davi, seu namorado, era completamente maravilhoso com ela; Natan era seu melhor amigo desde o primeiro ano do ensino fundamental e a pessoa em quem mais confiava; Jullie completava o quarteto inseparável, sendo sua melhor amiga desde o sexto ano e tão especial para Anna quanto os outros dois. À exceção de seu pai, que dava mais importância ao trabalho do que a qualquer outra coisa, a família da garota também era mais do que ela poderia pedir. Sua mãe era seu porto-seguro e seu irmão, por mais que implicasse e a irritasse completamente, era um grande companheiro.
Mas como tudo o que é bom dura pouco, a felicidade de Anna não poderia durar para sempre: ela se vê diante de vários conflitos e importantes decisões, que poderão ser a passagem de volta para sua felicidade. O grande problema é que as escolhas certas quase nunca são as mais fáceis de serem feitas.

Trailer

Capítulo 1

ㅤㅤEu estava indo à Bagel’s.
ㅤㅤEram oito da manhã de um sábado e eu estava indo à Bagel’s comprar pão para meu irmão idiota!
ㅤㅤNão bastasse a hora — cedo demais para uma pessoa em sã consciência estar fora de casa — e minha sonolência — que causava grande parte de toda essa irritação —, estava excessivamente frio nessa manhã.
ㅤㅤMinhas mãos congelavam mesmo que eu as mantivesse dentro do casaco preto de moletom e o vento gélido que batia em cada parte exposta e não exposta do meu corpo era parecido com os que eu imaginava existir na Antártida.
ㅤㅤIsso tudo era provavelmente um grande indício de que meu dia não poderia ser pior, já que eu odiava o frio. Quero dizer, eu morava no Rio de Janeiro: a cidade do sol, da praia e do bronzeado. Quem é louco o suficiente para gostar de frio em uma cidade como essa? Quem prefere sair da escola rumo à sua casa para tomar chocolate quente em vez de ir para praia ver aqueles gatos de sunga enquanto tenta capturar o máximo de luz solar possível?
ㅤㅤE, sabe, considerando que o Rio de Janeiro não é um dos lugares mais frios do mundo — e nem mesmo chega perto disso —, a minha raiva era justificável.
ㅤㅤEntretanto, pensando bem, talvez meu dia pudesse piorar, sim. Graças ao pingo de sorte que ainda me restava, não estava chovendo. Então, assim que começasse a cair um temporal, estaria definitivamente pior.
ㅤㅤInstantaneamente olhei para o céu. As nuvens moviam-se quase imperceptivelmente. Embora houvesse muitas delas, não estavam carregadas. Em certas partes, podia-se até ver o céu azul e os raios do sol aproveitando brechas para se infiltrarem na cidade, clareando tudo o que conseguissem alcançar. Suspirei aliviada.
ㅤㅤApesar disso, apertei o passo para que pudesse chegar o quanto antes à padaria e livrar-me daquela sensação claustrofóbica.
ㅤㅤEnquanto olhava para frente, praticamente correndo para alcançar a Bagel’s, lembrei-me da discussão que tivera mais cedo com meu irmão mais velho, Douglas. Honestamente, eu gostaria de entender: por que irmãos sãotão chatos? Quero dizer, eu tenho o mesmo sangue que ele! Compaixão seria pedir demais?
ㅤㅤBem, para Douglas… Seria.
ㅤㅤMeu irmão tinha realmente que me obrigar a sair no frio às oito da manhã de um sábado para comprar pão para ele. Certo, admito que fizera o mesmo no dia anterior (e um pouco mais cedo, já que era sexta-feira e tínhamos aula), só que, ao contrário dessa manhã, a temperatura não estava baixa e o tempo não estava nublado. Estava um clima extremamente agradável para um passeio pela rua.
ㅤㅤAparentemente, não para ele.
ㅤㅤ— Qual é, Douglas? Você sabe que eu odeio frio — falara impacientemente em uma tentativa frustrada de fazê-lo mudar de idéia.
ㅤㅤÉ claro que Douglas estava se divertindo muito com tudo isso. Ele sabia o quanto me irritava e isso só o incentivava mais ainda a continuar.
ㅤㅤ— Não interessa, é a sua vez. — Eu quisera voar em seu pescoço, mas tinha acabado de acordar e não queria começar o dia com hematomas.
ㅤㅤÉ. Você leu certo: hematomas. Além de tudo, meu irmão é um pouco troglodita. Ele faz musculação desde quatorze anos e hoje, com dezoito, é de colocar medo em qualquer criatura — seja de cinco ou vinte anos — que preze a própria vida.
ㅤㅤNão me entenda errado… Douglas está entre os garotos mais desejados do nosso colégio, o Honório de Paula.
ㅤㅤ— Ele tem lindos olhos cor de âmbar, uma pele parda tão fascinante que é preciso muita força de vontade para desviar a atenção e músculos grandes o suficiente para me deslumbrar. Quando ele sorri, eu fico sem ar — recitara para mim, suspirando, uma ingênua aluna da oitava série quando cometi o erro de perguntá-la o que havia de tão especial em meu irmã.
ㅤㅤEu apenas soltei um muxoxo, incrédula. Parecia que tudo isso encobria sua completa lerdeza, ignorância e burrice constante — pelo menos no que se tratava de matérias escolares.
ㅤㅤFelizmente, como toda irmã normal, eu não conseguia ver esse outro lado dele. Isso se devia, principalmente, ao fato de que eu era uma das pessoas que mais conhecia o verdadeiro Douglas. Principalmente, aquele Douglas implicante, que adorava me irritar até cansar ou que fazia porcarias tremendas — como arrotar na minha cara. E isso já era o suficiente para eu não querer ver mais lado nenhum.
ㅤㅤ— Eu compro amanhã e segunda também. — Tentar negociar é sempre bom quando se está desesperada.
ㅤㅤ— Anda logo, Anna. Estou com fome.
ㅤㅤSó que isso não seria resolvido com negociações. Tudo o que ele queria era ver-me irritada e vencida.
ㅤㅤPosso acrescentar que estava conseguindo?
ㅤㅤ— Olha só, é você quem quer o pão, sabia? Eu não estou com fome. — Completa mentira, é claro. Minha barriga soltara um ronco alto — quase um rugido —, fazendo-o sorrir.
ㅤㅤ— Se eu for, comprarei dois pães. Apenas para mim. — Isso é golpe baixo.
ㅤㅤTalvez não fosse tão ruim, então, pensara, tentando manter-me otimista. A casa de Davi ficava no final da rua e fazia tempo que não nos víamos fora dos muros do colégio.
ㅤㅤLogo no primeiro bimestre de aulas, sua atenção não fora uma das maiores, por isso ele levara bomba em várias matérias. Sinto dizer que sou culpada em grande parte. Nós somos da mesma sala, tornando mais difícil que nossa atenção se focalize em alguma coisa do que a professora diz. Em geral, nos uníamos para acabar com o tédio conversando em voz baixa ou brincando de “detetive” ou “stop!” com nossos amigos. E, bem… Às vezes, apenas ficávamos nos beijando no meio da aula — o que já rendera centenas de idas à diretoria, devo acrescentar.
ㅤㅤAo contrário de mim, Davi não era tão apto em entender as matérias sem ajuda de um professor. Eu não prestava atenção em muitas aulas e raramente estudava para as provas, entretanto, minhas notas eram sempre maiores do que a média. Maiores do que a média não quer dizer exatamente dez, mas sete ou oito é perfeitamente aceitável para alguém que nem se preocupa em fazer deveres de casa.
ㅤㅤTalvez você esteja se perguntando quem diabos seja Davi. Bem, Davi Borges é um dos garotos mais lindos e simpáticos que já conheci. E, ah, bem… É meu namorado.
ㅤㅤDe qualquer maneira, a mãe de Davi, Denise, não gostou muito do que encontrara em seu boletim, por isso o proibira de sair até que as notas da recuperação chegassem — se elas viessem boas, é claro —, o obrigara a ter aulas de professores particulares e a estudar mesmo quando não estivesse com estes ou no colégio. Apesar de passar o dia inteiro, praticamente, no trabalho, gerenciando uma empresa de moda, Denise conseguia ser suficientemente autoritária para que Davi a temesse e fizesse o que fosse mandado. E, acredite, ela tinha esse poder. Ela o usara contra mim quando insisti em chamá-la de senhora mesmo após dizer que se sentia uma idosa assim.
ㅤㅤNão que Denise fosse uma bruxa má. Não, por favor! Ela realmente era uma pessoa muito amável. Mas para se dirigir uma empresa — sobretudo uma que fazia tanto sucesso — era preciso voz firme e uma pitada de severidade. E era essa voz firme que ela usava quando seus filhos faziam algo errado.
ㅤㅤIsso limitou bastante o tempo que Davi e eu ficávamos juntos — até mesmo na sala de aula, onde éramos inseparáveis. Ele agora prestava total atenção às aulas para que pudesse entender a matéria e tirar suas dúvidas.
ㅤㅤEu respeitava isso, fazendo com que só nos víssemos durante o horário escolar e nos falássemos apenas no caminho de ida e volta para o colégio, durante o recreio e intervalos. E às vezes ao telefone, à noite. Mal conseguia esperar para que o boletim de recuperação saísse — o que aconteceria na semana seguinte.
ㅤㅤPor acaso eu sabia que, mesmo sendo oito da manhã, Davi estava acordado, preparando-se para seu curso de inglês. Hoje seria o dia perfeito para visitá-lo: não provocaria uma grande distração, nem o atrasaria para a aula.
ㅤㅤPensava nisso quando parei à frente da Bagel’s e deparei-me com algo que, definitivamente, pioraria meu dia.
ㅤㅤAcho que nós deveríamos escolher se teríamos irmãos ou não; assim eles não estariam correndo sérios riscos de vida. Quero dizer, o meu estava. Eu iria matá-lo assim que o encontrasse.
ㅤㅤA fila que se formava tanto para pegar o pão quanto para pagar era enorme. Será que todo mundo resolvera ir à padaria na mesma hora que eu? Era uma conspiração contra mim? Para piorar o meu dia?
ㅤㅤEu odiava filas. E, definitivamente, odiava meu irmão.
ㅤㅤNão só por me obrigar a comprar pão em uma situação daquelas (cedo demais, tempo ruim, padaria lotada), mas também porque ele se achava o maioral por sempre conseguir o que queria. E eu não conseguia fazer isso mudar. Eu até tentava mudar… O único problema é que eu geralmente ficava com aqueles hematomas dos quais falei antes.
ㅤㅤNão são hematomas de verdade, mas dá para sacar a idéia.
ㅤㅤPor outro lado, também é boa essa história de ser troglodita. Se alguém mexe comigo quando ele está por perto, é bem fácil fazer essa pessoa se arrepender.
ㅤㅤEu suspirei derrotada antes de entrar à padaria e postei-me na fila, agradecendo por estar quente ali dentro.
ㅤㅤ— Olá, seu Carlos — cumprimentei o padeiro, forçando um sorriso caloroso.
ㅤㅤA Bagel’s é uma dessas padarias pequenas e aconchegantes, onde somente frequentam pessoas que moravam no bairro há séculos. Como eu cresci ali, era de se esperar que conhecesse até os faxineiros do turno da noite.
ㅤㅤ— Anna! Que bom te rever. Não conseguiu enrolar seu irmão hoje, hein?
ㅤㅤEntendem o que eu quis dizer? Até o padeiro já sabia dos meus problemas fraternais.

ㅤㅤ— Fazer o que, não é? — Eu dei de ombros fazendo-o rir.
ㅤㅤQuando finalmente chegou a minha vez — depois do que me pareceu ter sido séculos —, eu estava mais do que impaciente. Tentei não deixar transparecer, é claro.
ㅤㅤ— Me vê oito desses pães maravilhosos, por favor, seu Carlos! — pedi, tentando manter a voz o mais calma possível.
ㅤㅤEle sorriu encabulado.
ㅤㅤ— Quem dera, Anna! E pare de ser puxa saco! Não vou ficar te dando pães de presente!
ㅤㅤ— Puxa vida! Nem uma broa? — Ele sacudiu a cabeça em negação e eu dei língua como uma criancinha de cinco anos. Peguei a sacola de pães e segui para a fila do caixa, despedindo-me com um aceno.
ㅤㅤO tempo de espera, dessa vez, foi um tanto quanto maior, porém estava um pouco mais paciente. Falta somente essa fila para que eu possa ver Davi, pensei para me alegrar. E funcionou.
ㅤㅤJá era a próxima quando percebi. Finalmente saí da padaria, virando à direta. Em menos de cinco minutos já estava parada em frente à casa dele.
ㅤㅤPeguei-me admirando aquele lugar que eu considerava um segundo lar por passar quase tanto tempo quanto em minha própria casa. Havia um pequeno jardim em frente, onde, ao meio, um caminho de pedras levava diretamente à varanda. As flores, sempre bem cuidadas — às vezes, até pela própria Denise, quando esta tinha tempo ou estava de férias —, eram de uma diversidade magnífica. Todas em uma estranha — e maravilhosa — combinação.

ㅤㅤAndei até a varanda, em direção ao lugar onde estavam mais da metade de minhas lembranças felizes. Toquei a campainha sentindo-me tão animada que ninguém imaginaria meu mau humor de minutos atrás. Quando a porta se abriu, não foi Davi quem vi parado ali no hall de entrada, mas outra pessoa pela qual eu ansiava ainda mais ver. É claro que eu estava com saudades extremas de meu namorado, mas não havia nada como rever meu melhor amigo.
ㅤㅤ— Oi, Nael.
ㅤㅤEu abri um sorriso genuinamente alegre e pulei em seu pescoço para um abraço, pendurando-me nele.
ㅤㅤA expressão de Natan parecia preocupada, mas ele não pôde evitar relaxar ao uso do apelido. Eu o dera quando ainda éramos pequenos. A princípio, usava-o somente por pura implicância: acostumada com o nome Natanael, perguntei-lhe se Natan era seu apelido e, quando respondeu que não, eu simplesmente comecei a chamá-lo de Nael, para “completar” o nome. O costume, então, me fez mantê-lo. Agora, tornara-se impossível não vê-lo como meu Nael em vez de, simplesmente, Natan.
ㅤㅤEle riu em meu ouvido e jogou os braços ao meu redor, retribuindo o gesto. Meu coração bateu acelerado com a felicidade de vê-lo.
ㅤㅤNão que estivéssemos há tempos sem nos ver. Ele também estudava no Honório de Paula e, apesar de não sermos da mesma sala, já que era do terceiro ano e eu do primeiro, nós sempre íamos juntos para a escola. Além disso, nos víamos em praticamente todos os recreios (exceto quando Davi e eu resolvíamos nos isolar para aproveitar alguns minutos sozinhos).
ㅤㅤNão… Minha felicidade era simplesmente porque não havia como não ficar feliz perto de Natan. Ele era uma pessoa maravilhosa (o melhor amigo que uma pessoa poderia ter) e, bem… Lindo.
ㅤㅤSério. Eu não estava falando isso só porque era meu melhor amigo. Natan era, sinceramente, o garoto mais lindo do bairro da Urca, onde morávamos. Talvez até do Rio de Janeiro inteiro.
ㅤㅤEle tinha 17 anos, era bem mais alto do que eu e herdara da mãe os olhos azuis mais fascinantes da face da Terra.

ㅤㅤSeu cabelo castanho claro, seus músculos (que, eu vou te contar, não eram nada pequenos), sua altura, seu sorriso sincero e sua covinha minúscula na bochecha direita faziam dele o garoto mais bonito do nosso colégio. Agora, juntando isso ao fato de que ele era super gentil, inteligente e engraçado, dava pra sacar por que se tornara o mais popular também.
ㅤㅤÉ bem fácil compreender, então, o motivo de praticamente todas as garotas (e alguns garotos) me invejarem por ser melhor amiga dele, de quererem me matar por nunca ter flertado com ele, agarrado, beijado ou algo do gênero, e, ainda por cima, em vez de fazer qualquer uma dessas coisas (ou todas), eu simplesmente fiquei com o irmão dele.
ㅤㅤClaro que Davi não era feio. Muitas garotas dariam tudo pra ficar com ele. Eu mesma fiquei assustada quando ele me beijou. Mas, mesmo assim, ele não era nenhum… Natan Borges.
ㅤㅤ— Bom dia, Nina — disse após me soltar. Ele abriu o sorriso que eu tanto amava e eu precisei de alguns segundos para me recompor, sem evitar sorrir de volta.
ㅤㅤFazia dez anos que Natan e eu nos conhecíamos e eu ainda não conseguia resistir àquele sorriso.
ㅤㅤAlém disso, eu amava quando ele me chamava de “Nina”.
ㅤㅤEle me encarou por apenas dois segundos antes do sorriso sumir e uma expressão confusa se formar em seu rosto.
ㅤㅤ— O que está fazendo aqui tão cedo?
ㅤㅤEu franzi o cenho, sem entender sua seriedade.
ㅤㅤ— Bem… Eu estava passando por perto — respondi, incerta. — Não vai me convidar para entrar?
ㅤㅤEle hesitou antes de responder.
ㅤㅤ— Eu estava… É… Saindo — balbuciou.
ㅤㅤEra impressão minha ou por trás da confusão havia receio?
ㅤㅤEu ergui uma sobrancelha analisando sua roupa. Onde ele poderia estar indo de moletom e chinelo? Quero dizer, ele vestia uma calça velha e um casaco que só usava em casa.
ㅤㅤNatan captou meus pensamentos com rapidez.
ㅤㅤ— Padaria.
ㅤㅤ— Você não vai querer ir lá agora. Está um inferno.
ㅤㅤEle franziu os lábios, como se estivesse irritado. Sua expressão seguinte me deu certeza de que alguma coisa estava acontecendo. Era a que ele fazia quando estava tentando encontrar uma desculpa.

ㅤㅤEu dei um passo para trás, encarando-o com desconfiança.
ㅤㅤ— Nael, você não mente bem. O que está acontecendo?
ㅤㅤ— Não tem nada acontecendo — respondeu rápido demais. Quanto mais tentava fugir, mais se denunciava.
ㅤㅤ— Natan! — Fiquei histérica. Meu coração pulou em meu peito e não foi de um jeito bom.
ㅤㅤEnquanto ele tentava mandar-me embora de todas as maneiras discretas que conseguiu pensar, um milhão de pensamentos ruins passava em minha cabeça. Um deles se ressaltava; busquei afastá-lo de todas as formas. Impossível. Ele rodeava minha mente como um mosquito extremamente irritante.
ㅤㅤParei, sem olhá-lo, decidindo o que fazer. Algo me dizia para ir embora, que não saber seria melhor do que saber o que estava acontecendo. Mas minha curiosidade foi mais forte e eu atravessei o portal antes que Natan pudesse me impedir.
ㅤㅤCaminhei pelo corredor até a sala, procurando qualquer indicação de anormalidade.
ㅤㅤNada. Não havia ninguém lá.
ㅤㅤOlhei para o segundo corredor, à direita da sala, depois para Natan, por cima do ombro, que parara ao final do hall, encarando-me em um pedido mudo. Ele não queria que eu continuasse. Mas eu não pude atender seu pedido.
ㅤㅤPraticamente corri até a porta do quarto de Davi, parando com a mão direita na maçaneta.
ㅤㅤ— Nina! — gritou meu melhor amigo, como um último pedido. Ele segurou meu braço, após correr atrás de mim.
ㅤㅤPrendi minha atenção nele por apenas uma fração de segundos.
ㅤㅤ— Merda! — ouvi claramente a voz exasperada de Davi reclamar de dentro do quarto, seguida por um baque.
ㅤㅤGirei a maçaneta sem nem ao menos pensar.
ㅤㅤE o que eu vi quase me fez desejar nunca ter aberto aquela maldita porta.

Gostou? Então clique aqui para entrar na comunidade e ler a continuação.

O lado bom da vida

Por toda minha vida, sempre que eu estava para baixo, alguém vinha com a famosa frase “veja o lado bom disso”. Nunca aceitei esse lado bom; achava que era a maior besteira, que as pessoas só costumavam me dizer aquilo para levantar meu astral (coisa que, como vocês devem imaginar, não acontecia) e que não era possível haver um lado bom quando uma coisa tão ruim estava acontecendo.

Conforme fui crescendo, aprendi a ver o mundo de uma maneira diferente. Passei por uma situação extremamente complicada e triste em minha vida e fui desestimulada totalmente em acreditar que existisse um lado bom – qualquer que fosse – na vida.

Eu costumo comparar esse período como um mergulho. Eu afundei nas águas de uma piscina, indo cada vez mais fundo, só vendo parede ao meu redor, exceto na superfície, onde outras pessoas conseguiam se divertir sem preocupações. Aquela, porém, era quase uma outra vida, um outro mundo. Uma visão embaçada. Foi quando atingi o fundo, no entanto, que percebi que só sairia dali se fosse em direção àquela superfície tão, aparentemente, distante.

Voltar à superfície foi o modo que minha mente encontrou de parar de se fechar tanto para aquela situação e clarear, se redescobrir. Aos poucos, o medo foi passando e o lado bom – sim, ele mesmo! – de tudo o que acontecera comigo finalmente se fez presente. Ou, pelo menos, visível. E é aí que começam as suposições.

Se eu não tivesse passado por tudo aquilo, eu nunca teria amadurecido tanto. Poderia ter me misturado com certas pessoas que na época eu “admirava” e me tornado fútil e completamente oca. Se eu não tivesse sofrido tudo o que sofri, nunca teria aprendido a me livrar dos meus sentimentos com a escrita. Poderia ter esquecido esse meu talento, o deixado de lado para sair, beber e não me preocupar com os estudos.

Em vez disso tudo, relembrei de minha maior paixão, me agarrei aos meus livros, conheci visões e conceitos diferentes de vida e aprendi a pensar por mim mesma, sem me deixar levar pelo que os outros acham.

Posso não ter conseguido chegar totalmente à superfície ainda, mas, com certeza, já aprendi o suficiente para entender que tudo na vida acaba levando a um propósito, seja ele bom, seja ele ruim. Porque, no final das contas, todos os acontecimentos são um aprendizado. E pode até ser que você não veja isso agora, mas, no futuro, quando chegar à sua superfície, vai piscar os olhos e ver tudo o que, debaixo d’água, sua mente te impediu de enxergar.

Novidades

Olá, queridos. É raro eu escrever algo assim, diretamente, mas andei querendo contar uma novidade para vocês desde que a recebi. Estive muito feliz essa semana por causa dela e nem conseguia acreditar direito. Acho que agora já é seguro compartilhá-la sem que eu mesma duvide de sua veracidade, risos.

Muitos já devem ter visto no meu twitter ou até no próprio site, mas, para os que não sabem, dia 30 de dezembro, eu enviei uma ficha de inscrição para a Bruna Vieira, dona do Depois dos Quinze, em uma tentativa de entrar para a equipe do site. Mal acreditei quando a resposta veio, dizendo que ela tinha adorado meus textos e que eu já podia me considerar uma “Depois dos Quinze”. Eu torci muito e não deixei de acreditar em nenhum momento, mas ver a notícia assim foi muito mais legal do que a torcida por ela.

Minha entrada só se tornou oficial na segunda-feira (17/01), quando a Br postou no site sobre a nova equipe e publicou uma das matérias que enviei como post de simulação.

Estou muito agradecida com os comentários das leitoras do site e, também, por ter visto várias das frases do texto postadas no twitter. Mas fiquei feliz mesmo com os comentários da outra matéria que mandei na inscrição, postada na quarta-feira (19/01). Ela fala sobre a escolha de profissão e fiquei contente de ver que as meninas adoraram as dicas e que, as que já tinham passado por aquele processo, concordaram que era o melhor jeito de se decidir.

Deixo, então, meus agradecimentos por todo o apoio, todas as palavras de carinho que recebi no meu twitter e nos comentários das matérias, e abaixo segue o link para as minhas matérias no DDQ.

A verdade sobre os contos de fadas – 17/01

Decidindo seu futuro – 19/01

Ah! E podem ficar tranquilos, eu entrei no DDQ, mas não vou abandonar o BDI de jeito nenhum. Risos. =)

Teste vocacional

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Com toda essa confusão de ENEM, SiSU e, logo mais, ProUni acontecendo (site fora do ar, servidor lotado, alunos indignados), resolvi achar alguma coisa para fazer enquanto esperava o site do Sistema de Seleção Unificada se normalizar. Não que eu esteja tentando entrar para alguma universidade: fiz o ENEM por puro teste… Mas estou tentando inscrever meu irmão e, para não perder a paciência, entrei no Guia do Estudante para procurar algum teste interessante.

Depois de tanto procurar, achei o teste vocacional do site e fiz para ele, fiz para mim e, devo dizer, foi um dos melhores testes que fiz até agora. Como sei que a indecisão é presente em muitos terceiranistas, decidi compartilhar com vocês o site.

O teste vai perguntar suas características e, após, dirá seu perfil (Artista, Idealista, Habilidoso, etc.) e as profissões que mais se adequam a ele! É bem legal e acho que não custa nada fazer, para perder algumas dúvidas, não é mesmo?

Teste Vocacional

O meu teste ficou bem dividido entre Artista e Idealista, mas, no fim, me confirmou apenas o que eu já sabia: meu futuro como jornalista me espera de portas abertas.

E vocês? Qual foi o resultado?

Desafio de Férias 2010/2011

Hoje encontrei, por acaso, o blog Garota It e topei com esse desafio proposto pela Pâm, dona do site.

Como funciona?

O participante deve ler e resenhar, no mínimo, dois livros por mês. O desafio dura as férias inteiras (dezembro, janeiro e fevereiro) e, a cada mês, sai um vencedor.

Não tive a oportunidade de tentar no mês de dezembro, mas vou participar agora. Estou cheia de livros para ler e nada melhor do que um desafio, com prêmio e tudo, para me motivar a terminá-los rapidinho.

Bem, aqui vai minha meta de livros para janeiro:

 

Lista de Livros – Janeiro

O morro dos ventos uivantes, de Emily Brontë.

O menino do pijama listrado, de John Boyne.

Madame Bovary, de Gustave Flaubert.

 

Gostou do desafio? Então, clique na imagem abaixo e veja como se escrever. Ah… E boa sorte!