Novidades

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Oi, gente! Eu sei que ando meio sumida (preguiça rules), mas queria compartilhar com vocês uma coisa incrível que aconteceu essa semana comigo.

Pra quem não sabe, desde pequena, eu gosto muito de cantar, mas nunca cheguei a levar o hobby mais a sério (apesar de querer). Já cantei uma vez no aniversário de 15 anos de uma prima, mas foi só e olhe lá. Mês passado, porém, minha professora de francês nos avisou sobre a Fête de la Musique, que foi criado em 1982 com o intuito de “festejar os milhões de músicos amadores do país na época, que foram convidados a, naquele dia, ocupar as ruas durante meia hora para mostrar sua arte”. E, desde então, todo ano ele acontece, não só na França, mas no mundo inteiro.

Eu já havia ido à Festa da Música antes, porém somente como espectadora, mas, não sei por que, senti uma vontade imensa de participar. Me inscrevi, ensaiei e, segunda-feira, 21 de junho, finalmente me apresentei. Preciso dizer que foi incrível?

Queria compartilhar meu vídeo com vocês e saber sua opinião. Podem ser sinceros, ok? Eu aguento! haha E desculpem, mas minha mãe não conseguiu filmar tudo, acabou ficando cortado.

Eu, cantando Je Ne Sais Pas, da Joyce Jonathan.

E também um videozinho de hoje:

Eu, cantando Garoto Errado, da Manu Gavassi.

E aí, o que acharam?

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Parabéns, Audrey!

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Faz 18 anos que a mais linda e bondosa atriz de todos os tempos (em minha opinião) faleceu, mas parece que ela anda mais viva do que nunca. Seus filmes continuam sendo assistidos, sua influencia sempre crescente, seu nome sempre citado.

Hoje, não seria diferente. Não poderíamos deixar de parabenizar Audrey Hepburn, nossa eterna bonequinha de luxo, por seu aniversário, mesmo que ela já não esteja mais entre nós. Para seus fãs, ela sempre será lembrada por seu talento, beleza e caráter.

Devido a esse dia especial, resolvi postar amanhã para vocês a biografia da atriz, assim como seus filmes e seus feitos. Para aqueles que não a conhecem, será a oportunidade perfeita para descobrir quem foi essa grande mulher. Para aqueles que a conhecem, será como relembrá-la e até conhecê-la melhor. Aguardem, será um post especial sobre uma pessoa extremamente incrível.

E, novamente, parabéns, Audrey! Que seu encanto continue influenciando por mais 82 anos, mesmo não estando mais entre nós.

Resenha: As Brumas de Avalon

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Adaptação cinematográfica do livro.

  • Editora: Imago
  • Autor: Marion Zimmer Bradley
  • Ano: 1979
  • Volumes: 4: A Senhora do Lago, A Grande Rainha, O Gamo-Rei e O Prisioneiro da Árvore
  • Onde comprar: Submarino (aproveitem que está em promoção!) ou Livraria Saraiva

Se você gosta de livros sobre magia, História, religião, guerras e romance, a série As Brumas de Avalon é a pedida certa! Eu nunca ouvira falar antes dessa história e só a comprei porque a saga estava em promoção. Demorei até um pouco para iniciar a leitura, mas uma vez que comecei não parei mais!

Escrita por Marion Zimmer Bradley, As Brumas de Avalon é composta por quatro livros: A Senhora da Magia, A Grande Rainha, O Gamo-Rei e O Prisioneiro da Árvore. Em todos eles, você encontrará a lenda do Rei Arthur contada através de perspectivas femininas!

A Senhora da Magia inicia-se antes mesmo do nascimento de Arthur. É contada, principalmente, o desenrolar da vida de sua mãe, Igraine, seu casamento descontente com Corlois, o Duque da Cornualha, a ascensão de Uther ao trono da Bretanha e o amor da mulher pelo mesmo. Também encontramos a presença do Merlim da Bretanha, de Viviane, a Senhora do Lago e irmã de Igraine, Morgause, também tia de Arthur, e Morgana, a irmã do futuro rei e também mais importante personagem da saga.

É interesse ler ao longo dos livros as opiniões opostas do povo antigo, das sacerdotisas e druidas de Avalon com seu amor pela Deusa, e dos cristãos, das tentativas de repreensão dos padres à quaisquer outras religiões. Há muitos debates entre Bispo e Merlim, assim como de Gwenhwyfar (Guinevere), mulher de Arthur, contra Morgana, que é sacerdotisa de Avalon e futura Senhora do Lago.

Além disso, o principal ponto de vista é da irmã de Arthur, que apesar de ser a escolhida da Deusa, sofre com dúvidas e inseguranças tão femininas quanto possível. Temos sua paixão pelo primo, Galahad, também conhecido como Lancelote, o filho que ela passa a carregar e não quer ter, sua inveja pela profunda beleza do amor de Lance.

O livro é incrível e eu realmente aconselho a todos a lerem!

Minha nota: 9 – apesar de maravilhoso, demoramos um pouco a “engrenar” e tem cenas que cansam e dá vontade de correr para chegar nas partes mais legais.

Além da amizade – Sinopse, Link e Capítulo 1

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Para os que ainda não sabem, eu escrevia um livro e postava-o na internet, em uma comunidade do Orkut. Depois de terminado, passei pouco tempo em sua página, mas sentia que a história ainda precisava ser corrigida, cortada em certas partes e refeita para que se tornasse digna de leitura.

Depois de muita enrolação, finalmente resolvi reativar a comunidade e dedico esse espaço para a postagem do primeiro capítulo do livro. Àqueles que se interessarem, segue à baixo a sinopse, o trailer e, no fim do post, também a página do livro-virtual.

Espero que gostem!

Além da amizade
Será que no jogo do amor realmente vale tudo?

“Além da amizade” conta a história da carioca Anna Schwartz: sua vida, seus relacionamentos e seu jeito de enfrentar as situações cotidianas.
Cercada de pessoas especiais, Anna não poderia querer vida melhor. Davi, seu namorado, era completamente maravilhoso com ela; Natan era seu melhor amigo desde o primeiro ano do ensino fundamental e a pessoa em quem mais confiava; Jullie completava o quarteto inseparável, sendo sua melhor amiga desde o sexto ano e tão especial para Anna quanto os outros dois. À exceção de seu pai, que dava mais importância ao trabalho do que a qualquer outra coisa, a família da garota também era mais do que ela poderia pedir. Sua mãe era seu porto-seguro e seu irmão, por mais que implicasse e a irritasse completamente, era um grande companheiro.
Mas como tudo o que é bom dura pouco, a felicidade de Anna não poderia durar para sempre: ela se vê diante de vários conflitos e importantes decisões, que poderão ser a passagem de volta para sua felicidade. O grande problema é que as escolhas certas quase nunca são as mais fáceis de serem feitas.

Trailer

Capítulo 1

ㅤㅤEu estava indo à Bagel’s.
ㅤㅤEram oito da manhã de um sábado e eu estava indo à Bagel’s comprar pão para meu irmão idiota!
ㅤㅤNão bastasse a hora — cedo demais para uma pessoa em sã consciência estar fora de casa — e minha sonolência — que causava grande parte de toda essa irritação —, estava excessivamente frio nessa manhã.
ㅤㅤMinhas mãos congelavam mesmo que eu as mantivesse dentro do casaco preto de moletom e o vento gélido que batia em cada parte exposta e não exposta do meu corpo era parecido com os que eu imaginava existir na Antártida.
ㅤㅤIsso tudo era provavelmente um grande indício de que meu dia não poderia ser pior, já que eu odiava o frio. Quero dizer, eu morava no Rio de Janeiro: a cidade do sol, da praia e do bronzeado. Quem é louco o suficiente para gostar de frio em uma cidade como essa? Quem prefere sair da escola rumo à sua casa para tomar chocolate quente em vez de ir para praia ver aqueles gatos de sunga enquanto tenta capturar o máximo de luz solar possível?
ㅤㅤE, sabe, considerando que o Rio de Janeiro não é um dos lugares mais frios do mundo — e nem mesmo chega perto disso —, a minha raiva era justificável.
ㅤㅤEntretanto, pensando bem, talvez meu dia pudesse piorar, sim. Graças ao pingo de sorte que ainda me restava, não estava chovendo. Então, assim que começasse a cair um temporal, estaria definitivamente pior.
ㅤㅤInstantaneamente olhei para o céu. As nuvens moviam-se quase imperceptivelmente. Embora houvesse muitas delas, não estavam carregadas. Em certas partes, podia-se até ver o céu azul e os raios do sol aproveitando brechas para se infiltrarem na cidade, clareando tudo o que conseguissem alcançar. Suspirei aliviada.
ㅤㅤApesar disso, apertei o passo para que pudesse chegar o quanto antes à padaria e livrar-me daquela sensação claustrofóbica.
ㅤㅤEnquanto olhava para frente, praticamente correndo para alcançar a Bagel’s, lembrei-me da discussão que tivera mais cedo com meu irmão mais velho, Douglas. Honestamente, eu gostaria de entender: por que irmãos sãotão chatos? Quero dizer, eu tenho o mesmo sangue que ele! Compaixão seria pedir demais?
ㅤㅤBem, para Douglas… Seria.
ㅤㅤMeu irmão tinha realmente que me obrigar a sair no frio às oito da manhã de um sábado para comprar pão para ele. Certo, admito que fizera o mesmo no dia anterior (e um pouco mais cedo, já que era sexta-feira e tínhamos aula), só que, ao contrário dessa manhã, a temperatura não estava baixa e o tempo não estava nublado. Estava um clima extremamente agradável para um passeio pela rua.
ㅤㅤAparentemente, não para ele.
ㅤㅤ— Qual é, Douglas? Você sabe que eu odeio frio — falara impacientemente em uma tentativa frustrada de fazê-lo mudar de idéia.
ㅤㅤÉ claro que Douglas estava se divertindo muito com tudo isso. Ele sabia o quanto me irritava e isso só o incentivava mais ainda a continuar.
ㅤㅤ— Não interessa, é a sua vez. — Eu quisera voar em seu pescoço, mas tinha acabado de acordar e não queria começar o dia com hematomas.
ㅤㅤÉ. Você leu certo: hematomas. Além de tudo, meu irmão é um pouco troglodita. Ele faz musculação desde quatorze anos e hoje, com dezoito, é de colocar medo em qualquer criatura — seja de cinco ou vinte anos — que preze a própria vida.
ㅤㅤNão me entenda errado… Douglas está entre os garotos mais desejados do nosso colégio, o Honório de Paula.
ㅤㅤ— Ele tem lindos olhos cor de âmbar, uma pele parda tão fascinante que é preciso muita força de vontade para desviar a atenção e músculos grandes o suficiente para me deslumbrar. Quando ele sorri, eu fico sem ar — recitara para mim, suspirando, uma ingênua aluna da oitava série quando cometi o erro de perguntá-la o que havia de tão especial em meu irmã.
ㅤㅤEu apenas soltei um muxoxo, incrédula. Parecia que tudo isso encobria sua completa lerdeza, ignorância e burrice constante — pelo menos no que se tratava de matérias escolares.
ㅤㅤFelizmente, como toda irmã normal, eu não conseguia ver esse outro lado dele. Isso se devia, principalmente, ao fato de que eu era uma das pessoas que mais conhecia o verdadeiro Douglas. Principalmente, aquele Douglas implicante, que adorava me irritar até cansar ou que fazia porcarias tremendas — como arrotar na minha cara. E isso já era o suficiente para eu não querer ver mais lado nenhum.
ㅤㅤ— Eu compro amanhã e segunda também. — Tentar negociar é sempre bom quando se está desesperada.
ㅤㅤ— Anda logo, Anna. Estou com fome.
ㅤㅤSó que isso não seria resolvido com negociações. Tudo o que ele queria era ver-me irritada e vencida.
ㅤㅤPosso acrescentar que estava conseguindo?
ㅤㅤ— Olha só, é você quem quer o pão, sabia? Eu não estou com fome. — Completa mentira, é claro. Minha barriga soltara um ronco alto — quase um rugido —, fazendo-o sorrir.
ㅤㅤ— Se eu for, comprarei dois pães. Apenas para mim. — Isso é golpe baixo.
ㅤㅤTalvez não fosse tão ruim, então, pensara, tentando manter-me otimista. A casa de Davi ficava no final da rua e fazia tempo que não nos víamos fora dos muros do colégio.
ㅤㅤLogo no primeiro bimestre de aulas, sua atenção não fora uma das maiores, por isso ele levara bomba em várias matérias. Sinto dizer que sou culpada em grande parte. Nós somos da mesma sala, tornando mais difícil que nossa atenção se focalize em alguma coisa do que a professora diz. Em geral, nos uníamos para acabar com o tédio conversando em voz baixa ou brincando de “detetive” ou “stop!” com nossos amigos. E, bem… Às vezes, apenas ficávamos nos beijando no meio da aula — o que já rendera centenas de idas à diretoria, devo acrescentar.
ㅤㅤAo contrário de mim, Davi não era tão apto em entender as matérias sem ajuda de um professor. Eu não prestava atenção em muitas aulas e raramente estudava para as provas, entretanto, minhas notas eram sempre maiores do que a média. Maiores do que a média não quer dizer exatamente dez, mas sete ou oito é perfeitamente aceitável para alguém que nem se preocupa em fazer deveres de casa.
ㅤㅤTalvez você esteja se perguntando quem diabos seja Davi. Bem, Davi Borges é um dos garotos mais lindos e simpáticos que já conheci. E, ah, bem… É meu namorado.
ㅤㅤDe qualquer maneira, a mãe de Davi, Denise, não gostou muito do que encontrara em seu boletim, por isso o proibira de sair até que as notas da recuperação chegassem — se elas viessem boas, é claro —, o obrigara a ter aulas de professores particulares e a estudar mesmo quando não estivesse com estes ou no colégio. Apesar de passar o dia inteiro, praticamente, no trabalho, gerenciando uma empresa de moda, Denise conseguia ser suficientemente autoritária para que Davi a temesse e fizesse o que fosse mandado. E, acredite, ela tinha esse poder. Ela o usara contra mim quando insisti em chamá-la de senhora mesmo após dizer que se sentia uma idosa assim.
ㅤㅤNão que Denise fosse uma bruxa má. Não, por favor! Ela realmente era uma pessoa muito amável. Mas para se dirigir uma empresa — sobretudo uma que fazia tanto sucesso — era preciso voz firme e uma pitada de severidade. E era essa voz firme que ela usava quando seus filhos faziam algo errado.
ㅤㅤIsso limitou bastante o tempo que Davi e eu ficávamos juntos — até mesmo na sala de aula, onde éramos inseparáveis. Ele agora prestava total atenção às aulas para que pudesse entender a matéria e tirar suas dúvidas.
ㅤㅤEu respeitava isso, fazendo com que só nos víssemos durante o horário escolar e nos falássemos apenas no caminho de ida e volta para o colégio, durante o recreio e intervalos. E às vezes ao telefone, à noite. Mal conseguia esperar para que o boletim de recuperação saísse — o que aconteceria na semana seguinte.
ㅤㅤPor acaso eu sabia que, mesmo sendo oito da manhã, Davi estava acordado, preparando-se para seu curso de inglês. Hoje seria o dia perfeito para visitá-lo: não provocaria uma grande distração, nem o atrasaria para a aula.
ㅤㅤPensava nisso quando parei à frente da Bagel’s e deparei-me com algo que, definitivamente, pioraria meu dia.
ㅤㅤAcho que nós deveríamos escolher se teríamos irmãos ou não; assim eles não estariam correndo sérios riscos de vida. Quero dizer, o meu estava. Eu iria matá-lo assim que o encontrasse.
ㅤㅤA fila que se formava tanto para pegar o pão quanto para pagar era enorme. Será que todo mundo resolvera ir à padaria na mesma hora que eu? Era uma conspiração contra mim? Para piorar o meu dia?
ㅤㅤEu odiava filas. E, definitivamente, odiava meu irmão.
ㅤㅤNão só por me obrigar a comprar pão em uma situação daquelas (cedo demais, tempo ruim, padaria lotada), mas também porque ele se achava o maioral por sempre conseguir o que queria. E eu não conseguia fazer isso mudar. Eu até tentava mudar… O único problema é que eu geralmente ficava com aqueles hematomas dos quais falei antes.
ㅤㅤNão são hematomas de verdade, mas dá para sacar a idéia.
ㅤㅤPor outro lado, também é boa essa história de ser troglodita. Se alguém mexe comigo quando ele está por perto, é bem fácil fazer essa pessoa se arrepender.
ㅤㅤEu suspirei derrotada antes de entrar à padaria e postei-me na fila, agradecendo por estar quente ali dentro.
ㅤㅤ— Olá, seu Carlos — cumprimentei o padeiro, forçando um sorriso caloroso.
ㅤㅤA Bagel’s é uma dessas padarias pequenas e aconchegantes, onde somente frequentam pessoas que moravam no bairro há séculos. Como eu cresci ali, era de se esperar que conhecesse até os faxineiros do turno da noite.
ㅤㅤ— Anna! Que bom te rever. Não conseguiu enrolar seu irmão hoje, hein?
ㅤㅤEntendem o que eu quis dizer? Até o padeiro já sabia dos meus problemas fraternais.

ㅤㅤ— Fazer o que, não é? — Eu dei de ombros fazendo-o rir.
ㅤㅤQuando finalmente chegou a minha vez — depois do que me pareceu ter sido séculos —, eu estava mais do que impaciente. Tentei não deixar transparecer, é claro.
ㅤㅤ— Me vê oito desses pães maravilhosos, por favor, seu Carlos! — pedi, tentando manter a voz o mais calma possível.
ㅤㅤEle sorriu encabulado.
ㅤㅤ— Quem dera, Anna! E pare de ser puxa saco! Não vou ficar te dando pães de presente!
ㅤㅤ— Puxa vida! Nem uma broa? — Ele sacudiu a cabeça em negação e eu dei língua como uma criancinha de cinco anos. Peguei a sacola de pães e segui para a fila do caixa, despedindo-me com um aceno.
ㅤㅤO tempo de espera, dessa vez, foi um tanto quanto maior, porém estava um pouco mais paciente. Falta somente essa fila para que eu possa ver Davi, pensei para me alegrar. E funcionou.
ㅤㅤJá era a próxima quando percebi. Finalmente saí da padaria, virando à direta. Em menos de cinco minutos já estava parada em frente à casa dele.
ㅤㅤPeguei-me admirando aquele lugar que eu considerava um segundo lar por passar quase tanto tempo quanto em minha própria casa. Havia um pequeno jardim em frente, onde, ao meio, um caminho de pedras levava diretamente à varanda. As flores, sempre bem cuidadas — às vezes, até pela própria Denise, quando esta tinha tempo ou estava de férias —, eram de uma diversidade magnífica. Todas em uma estranha — e maravilhosa — combinação.

ㅤㅤAndei até a varanda, em direção ao lugar onde estavam mais da metade de minhas lembranças felizes. Toquei a campainha sentindo-me tão animada que ninguém imaginaria meu mau humor de minutos atrás. Quando a porta se abriu, não foi Davi quem vi parado ali no hall de entrada, mas outra pessoa pela qual eu ansiava ainda mais ver. É claro que eu estava com saudades extremas de meu namorado, mas não havia nada como rever meu melhor amigo.
ㅤㅤ— Oi, Nael.
ㅤㅤEu abri um sorriso genuinamente alegre e pulei em seu pescoço para um abraço, pendurando-me nele.
ㅤㅤA expressão de Natan parecia preocupada, mas ele não pôde evitar relaxar ao uso do apelido. Eu o dera quando ainda éramos pequenos. A princípio, usava-o somente por pura implicância: acostumada com o nome Natanael, perguntei-lhe se Natan era seu apelido e, quando respondeu que não, eu simplesmente comecei a chamá-lo de Nael, para “completar” o nome. O costume, então, me fez mantê-lo. Agora, tornara-se impossível não vê-lo como meu Nael em vez de, simplesmente, Natan.
ㅤㅤEle riu em meu ouvido e jogou os braços ao meu redor, retribuindo o gesto. Meu coração bateu acelerado com a felicidade de vê-lo.
ㅤㅤNão que estivéssemos há tempos sem nos ver. Ele também estudava no Honório de Paula e, apesar de não sermos da mesma sala, já que era do terceiro ano e eu do primeiro, nós sempre íamos juntos para a escola. Além disso, nos víamos em praticamente todos os recreios (exceto quando Davi e eu resolvíamos nos isolar para aproveitar alguns minutos sozinhos).
ㅤㅤNão… Minha felicidade era simplesmente porque não havia como não ficar feliz perto de Natan. Ele era uma pessoa maravilhosa (o melhor amigo que uma pessoa poderia ter) e, bem… Lindo.
ㅤㅤSério. Eu não estava falando isso só porque era meu melhor amigo. Natan era, sinceramente, o garoto mais lindo do bairro da Urca, onde morávamos. Talvez até do Rio de Janeiro inteiro.
ㅤㅤEle tinha 17 anos, era bem mais alto do que eu e herdara da mãe os olhos azuis mais fascinantes da face da Terra.

ㅤㅤSeu cabelo castanho claro, seus músculos (que, eu vou te contar, não eram nada pequenos), sua altura, seu sorriso sincero e sua covinha minúscula na bochecha direita faziam dele o garoto mais bonito do nosso colégio. Agora, juntando isso ao fato de que ele era super gentil, inteligente e engraçado, dava pra sacar por que se tornara o mais popular também.
ㅤㅤÉ bem fácil compreender, então, o motivo de praticamente todas as garotas (e alguns garotos) me invejarem por ser melhor amiga dele, de quererem me matar por nunca ter flertado com ele, agarrado, beijado ou algo do gênero, e, ainda por cima, em vez de fazer qualquer uma dessas coisas (ou todas), eu simplesmente fiquei com o irmão dele.
ㅤㅤClaro que Davi não era feio. Muitas garotas dariam tudo pra ficar com ele. Eu mesma fiquei assustada quando ele me beijou. Mas, mesmo assim, ele não era nenhum… Natan Borges.
ㅤㅤ— Bom dia, Nina — disse após me soltar. Ele abriu o sorriso que eu tanto amava e eu precisei de alguns segundos para me recompor, sem evitar sorrir de volta.
ㅤㅤFazia dez anos que Natan e eu nos conhecíamos e eu ainda não conseguia resistir àquele sorriso.
ㅤㅤAlém disso, eu amava quando ele me chamava de “Nina”.
ㅤㅤEle me encarou por apenas dois segundos antes do sorriso sumir e uma expressão confusa se formar em seu rosto.
ㅤㅤ— O que está fazendo aqui tão cedo?
ㅤㅤEu franzi o cenho, sem entender sua seriedade.
ㅤㅤ— Bem… Eu estava passando por perto — respondi, incerta. — Não vai me convidar para entrar?
ㅤㅤEle hesitou antes de responder.
ㅤㅤ— Eu estava… É… Saindo — balbuciou.
ㅤㅤEra impressão minha ou por trás da confusão havia receio?
ㅤㅤEu ergui uma sobrancelha analisando sua roupa. Onde ele poderia estar indo de moletom e chinelo? Quero dizer, ele vestia uma calça velha e um casaco que só usava em casa.
ㅤㅤNatan captou meus pensamentos com rapidez.
ㅤㅤ— Padaria.
ㅤㅤ— Você não vai querer ir lá agora. Está um inferno.
ㅤㅤEle franziu os lábios, como se estivesse irritado. Sua expressão seguinte me deu certeza de que alguma coisa estava acontecendo. Era a que ele fazia quando estava tentando encontrar uma desculpa.

ㅤㅤEu dei um passo para trás, encarando-o com desconfiança.
ㅤㅤ— Nael, você não mente bem. O que está acontecendo?
ㅤㅤ— Não tem nada acontecendo — respondeu rápido demais. Quanto mais tentava fugir, mais se denunciava.
ㅤㅤ— Natan! — Fiquei histérica. Meu coração pulou em meu peito e não foi de um jeito bom.
ㅤㅤEnquanto ele tentava mandar-me embora de todas as maneiras discretas que conseguiu pensar, um milhão de pensamentos ruins passava em minha cabeça. Um deles se ressaltava; busquei afastá-lo de todas as formas. Impossível. Ele rodeava minha mente como um mosquito extremamente irritante.
ㅤㅤParei, sem olhá-lo, decidindo o que fazer. Algo me dizia para ir embora, que não saber seria melhor do que saber o que estava acontecendo. Mas minha curiosidade foi mais forte e eu atravessei o portal antes que Natan pudesse me impedir.
ㅤㅤCaminhei pelo corredor até a sala, procurando qualquer indicação de anormalidade.
ㅤㅤNada. Não havia ninguém lá.
ㅤㅤOlhei para o segundo corredor, à direita da sala, depois para Natan, por cima do ombro, que parara ao final do hall, encarando-me em um pedido mudo. Ele não queria que eu continuasse. Mas eu não pude atender seu pedido.
ㅤㅤPraticamente corri até a porta do quarto de Davi, parando com a mão direita na maçaneta.
ㅤㅤ— Nina! — gritou meu melhor amigo, como um último pedido. Ele segurou meu braço, após correr atrás de mim.
ㅤㅤPrendi minha atenção nele por apenas uma fração de segundos.
ㅤㅤ— Merda! — ouvi claramente a voz exasperada de Davi reclamar de dentro do quarto, seguida por um baque.
ㅤㅤGirei a maçaneta sem nem ao menos pensar.
ㅤㅤE o que eu vi quase me fez desejar nunca ter aberto aquela maldita porta.

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Joanne Kathleen Rowling: o fenômeno

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Todo mundo já ouviu falar, pelo menos, uma vez na vida, na famosa J.K. Rowling. A autora de Harry Potter, hoje com 45 anos, está entre as pessoas mais poderosas da Inglaterra e é a única autora bilionária do mundo! Não bastasse isso, ela também já recebeu mais de 50 prêmios e indicações e ainda teve um asteróide nomeado em sua homenagem.

Nascida em 31 de julho de 1965, nos arredores de Bristol, na Inglaterra, Joanne sempre foi considerada a inteligente da família. Desde criança, ela gostava de contar histórias para sua irmã, Dianne, e, por diversas vezes, as duas acabavam interpretando-as juntas. Apesar de brigarem como cão e gato – como quaisquer irmãos fazem, elas tinham uma grande amizade.

Sua infância foi tranquila, mesmo com todas as mudanças, mas quando estava perto de completar nove anos, Joanne teve de enfrentar o falecimento de sua avó preferida, Kathleen, cujo nome ela aderiu mais tarde. Essa foi a primeira morte impactante de sua vida, mas não a única. Seis anos depois disso, durante sua adolescência, J.K. descobriu que sua mãe fora diagnosticada com esclerose múltipla, uma doença lentamente progressiva do Sistema Nervoso Central e sem cura.

Durante os dez anos de avanço da doença, Joanne terminou a escola e entrou para a Universidade de Exeter, onde estudou francês, decisão da qual ela se arrepende por ter deixado ser influenciada pela opinião dos pais. O que ela mais queria era ter estudado inglês, principalmente, por sua paixão pela escrita.

Após a faculdade, seu emprego mais duradouro foi em uma organização que luta contra o desrespeito aos direitos humanos em todo mundo, a Anistia Internacional. Mas ele só durou até 1990, quando, finalmente, a ideia de Harry Potter simplesmente surgiu na cabeça de Rowling.

Ela e o namorado pretendiam se mudar para Manchester e, após um fim de semana de procura de apartamentos, durante a viagem de trem de volta à Londres, o enredo começou a se desenrolar em sua mente. Sem caneta à mão, Joanne deixou que as ideias fluíssem e se acumulassem em sua cabeça por quatro horas – o que ela pensa ter sido muito bom, pois poderia ter começado a escrever e perdido todos os detalhes que ela criou ao longo da viagem.

Naquela mesma noite, J.K. iniciou a árdua tarefa de colocar no papel todo aquele mundo mágico e, durante seis anos, ela quase não parou. Veio a mudança para Manchester e junto foi o manuscrito de Harry Potter, que crescia sem parar, cheio de ideias, descrições e até acontecimentos de livros futuros.

Em 30 de dezembro daquele mesmo ano, aconteceu algo que parou o mundo de Joanne: o falecimento de sua mãe. Toda a sua família ficou desolada, especialmente devido à tão pouca idade de Anne Rowling: ela tinha apenas 45 anos.

Passados nove meses, J.K. resolveu se mudar para Portugal, como um motivo para se afastar de todos os acontecimentos. Agora, a profundidade dos sentimentos de Harry em relação à morte dos pais era muito maior. Rowling tinha seus próprios sentimentos em que se basear e isso tornou Harry Potter muito mais real.

Então, Portugal veio e transformou a vida da escritora: ela conheceu um homem, com quem se casou (apesar de não ter dado certo), e, em 1994, quando resolveu ir para Edimburgo, onde a irmã estava morando, ela levava consigo uma filha, Jessica.

Com a pretensão de voltar à ensinar, J.K. sabia que precisava terminar logo o livro. No momento em que começasse o trabalho, não teria mais tempo para nada, e ela queria, pelo menos, tentar publicar a história para qual se dedicara tanto. Em um frenesi, escreveu sem parar, aproveitando os cochilos de Jessica e qualquer momento livre para digitar e, depois, datilografou tudo. “Cheguei por vezes a odiar o livro, mesmo quando o amava”, admitiu Rowling.

Quando tudo ficou pronto, ela encapou os três primeiros capítulos e enviou para um agente que os devolveu com uma rapidez surpreendente. O segundo, no entanto, aceitou a proposta e pediu o restante do manuscrito. Levou um ano para encontrarem um editor – exatamente 9 a recusaram, por considerarem a história longa demais para uma criança; o que me faz imaginar, de vez em quando, o arrependimento que eles devem sentir quando vêem o sucesso atual do livro. E, em agosto de 1996, finalmente o sonho de Rowling começou.

Toda a sua vida, desde a infância até o momento em que começou a escrever a história de Harry Potter, influenciou significativamente em suas ideias quanto ao livro. Seu aniversário foi adotado para o personagem de Harry, “Potter” era o sobrenome, que ela sempre gostara, de seu vizinho, seu melhor amigo, Sean Harris, a quem “A Câmara Secreta” é dedicada, foi a base de Rony Weasley, o Ford Anglia também existiu e era de posse desse mesmo amigo, e até a descrição das fotografias de Duda Dursley, em “A Pedra Filosofal”, se aplicava às suas próprias (“uma coisa que parecia uma grande bola de brincar na praia, usando diferentes chapéus coloridos”).

J.K. nunca, realmente, escreveu outro livro que não pertencesse à saga de Harry Potter. Mesmo seus outros três livros são relacionados à série: Os contos de Beedle, o Bardo; Quadribol Através dos Séculos e Animais Fantásticos & Onde Habitam.

Atualmente, Rowling está casada com o anestesista, Neil Murray, e, além de Jessica, tem também outra menina, Mackenzie, e um menino, David.

Curiosidades

  • Quando tinha seis anos, J.K. escreveu um livro chamado Rabbit.
  • Dentre seus escritores preferidos estão Jane Austen e C.S. Lewis, mas seu livro preferido é O Pequeno Cavalo Branco, de Elizabeth Goudge.
  • Suas bandas preferidas são os Beatles, The Smiths e The Clash.
  • Joanne perdeu seu primeiro filho com o jornalista português, Jorge Arantes.
  • Dumbledore é como era chamado, no inglês antigo, um tipo de abelha. Enquanto o nome de Snape foi tirado de uma cidade da Inglaterra.
  • A maioria das mágicas e feitiços tem seu nome provindo do latim, o qual Joanne estudou na Universidade de Exeter.
  • A ideia do Expresso de Hogwarts não veio somente por conta do local onde J.K. se inspirou para escrever Harry Potter: os pais da escritora, Peter e Anne, se conheceram na estação de Kings Cross, onde os alunos tem de ir procurar a plataforma 9 ¾.
  • Joanne é extremamente reservada e tímida e, justamente por isso, a primeira leitura do livro em uma livraria foi um fisco. Pouquíssima gente apareceu e, por ficar tão nervosa, toda hora ela se perdia na leitura.
  • A escritora abandonou duas obras para adultos, por sempre priorizar Harry Potter.
  • De todas as criaturas presentes nos livros, a preferida de Rowling é a fênix.

Resenha: O menino do pijama listrado – John Boyne

Quando terminei O Morro dos Ventos Uivantes, corri logo para começar outra leitura. Não queria perder o ritmo e deixar passar a oportunidade de participar do Desafio de Férias, o qual já falei aqui antes e postei minha lista de metas.

O segundo livro que pretendia ler era O menino do pijama listrado e nem sequer cogitei começar por Madame Bovary. Queria algo mais atual e leve, depois de tantas conturbações com a leitura de Emily Brontë.

À primeira vista, achei até esquisito. Senti a diferença da escrita pesar bastante; enquanto O morro dos ventos uivantes é cheio de descrições, sentimentos e palavras complicadas, O menino do pijama listrado é simples e ingênuo.

Levei algumas páginas para me acostumar, mas consegui engrenar rapidamente. Confesso que, mesmo tendo desistido de esperar muito do livro, após minha decepção com o anterior, a história não era exatamente o que eu imaginava.

Aconselharam-me a lê-lo quando terminei A menina que roubava livros. Disseram-me que tinha um enredo similar (não igual – eu mesma achei bastante diferente, tirando algumas exceções) e fiquei curiosa. Todos falavam do livro e do filme, e eu, como uma boa viciada em leitura, quis logo comprar o meu.

Não vou dizer onde, nem quando se passa a história, porque gostei de adivinhar com as dicas impostas pelo Bruno, personagem principal, e espero que os futuros leitores prestem tanta atenção nesses detalhes quanto eu prestei.

O que você precisa saber é: a história é contada em terceira pessoa, mas seu foco é na vida e pensamentos de Bruno, um menino de nove anos, que é filho de um comandante importante para seu país e se vê obrigado a se mudar, devido ao trabalho do pai. O desenrolar acompanha Bruno em sua nova casa, da qual ele não gosta, e suas tentativas frustradas de entender tudo o que está acontecendo à sua volta. Com sua pouca idade, o garoto sente-se confuso e não consegue compreender por que teve que sair de sua casa grande e bonita para se mudar para uma cidade tão feia e viver em uma nova casa meio acabada e bem menor do que a outra. Além disso, da janela do seu quarto, ele consegue ver uma grande cerca, onde várias pessoas vestindo “pijamas” listrados vivem, do outro lado, uma vida completamente diferente da sua.

Mesmo com a ingenuidade de Bruno, aos poucos, o leitor percebe o que está se passando, quem são as pessoas nos pijamas listrados e quem é realmente Bruno, sua família e, principalmente, seu pai.

Para quem gosta de enredos leves e sem muitos acontecimentos, O menino do pijama listrado é a pedida perfeita. A escrita, apesar de simples, é muito boa e dá um ar mais infantil (especialmente, por ser contada a partir da vida de uma criança) e inocente – mesmo Bruno, às vezes, se portando como um garoto mimado. No entanto, ninguém pode realmente culpá-lo, devido à sua criação. Ainda assim, ele é bondoso e bem diferente de sua irmã, Gretel, que está sempre querendo parecer superior.

O final, no entanto, me surpreendeu. Não pelo acontecimento, já que eu esperava que alguma coisa do tipo fosse acontecer, mas pela falta de descrição. Achei que foi tudo muito rápido e sem emoção.

Apesar dos apesares, eu gostei muito da leitura e aconselharia a todos a lerem. Além da inocência, bondade e simplicidade expressas no livro, a principal característica que me fez gostar da história, foi a amizade sem preconceitos e isso é uma lição para a vida toda.

Minha nota: 8.5

Resenha: O Morro dos Ventos Uivantes – Emily Brontë

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O acréscimo de O Morro dos Ventos Uivantes à minha lista de livros desejados não tinha outra razão que não a sua fama. Depois de tanto ouvir falar do amor desesperado, de Catherine e Heathcliff, do clássico livro, minha ansiedade pela leitura nasceu só para me decepcionar logo de início.

Em primeiro lugar, gostaria de deixar claro que, em nenhum momento, falo da escritora em si. Apesar do desgosto pelo livro, soube apreciar bem as descrições de Emily Brontë e sua escrita impecável. O livro não me prendeu muito no começo, mas se tivesse dedicado mais tempo à ele, tenho certeza que teria lido bem mais rápido.

Vamos, então, ao que interessa.

Terminei-o há pouco mais de duas horas, mas ainda estou me perguntando de onde alguém tirou a ideia de que esse livro é uma história de amor. Todas as frases expeliam ódio, vingança e outras centenas de sentimentos totalmente contrários ao amor. Aliás, para mim, o que Catherine e Heathcliff sentiam um pelo outro não podia ser chamado disso. Era uma obsessão esquisita e desesperada. Não é à toa que a Bella se identificava tanto com o livro.

Mas isso foi um dos pormenores. O livro já me desencantou no começo, ao perceber, que era contado por alguém de fora. Não por um narrador oculto, nem em primeiro pessoa, mas por alguém que nem sequer estava lá quando tudo aconteceu. Achei estranho, mas prossegui. Veio, então, outra surpresa: Heathcliff não era só grosseiro. Ele era grosseiro, mesquinho, estúpido, odioso e sem escrúpulos. Mesmo com toda a sua história, nada justificava seu jeito de ser. E, daí, o motivo que quase me fez desistir de seguir em frente com a leitura: o livro, que começa praticamente contado do final, antes mesmo da história verdadeira ser narrada, já fala da morte de um dos personagens mais importantes.

Sou persistente e, mesmo com todos os motivos para voltar atrás, continuei. Estava já confusa com a quantidade de informações sem explicação, mas comecei a entender quando a Sra. Dean, governanta da Granja dos Tordos, onde o Sr. Lockwood, inquilino da casa de propriedade do Sr. Heathcliff e narrador principal, começa a contar a história dos Earnshaw, Linton e do Heathcliff desde o início, já que cresceu com eles e esteve presente durante todo o enredo.

A história, então, volta para a infância de Catherine Earnshaw e seu irmão, Hindley, no Morro dos Ventos Uivantes, quando o pai dos dois aparece em casa com um menino sem nome nem precedentes, a quem passa a chamar de Heathcliff. O garoto se torna o favorito do Sr. Earnshaw e ganha a afeição de Catherine, uma menina teimosa e indisciplinada, e o ciúmes de Hindley.

O irmão da menina evitava maltratar Heathcliff devido à adoração de seu pai por ele, mas quando o senhor da casa falece e Hindley torna-se o patrão, o cigano vira criado e sofre nas mãos do mais velho dos Earnshaw. Mesmo assim, não perde a amizade de Catherine, por quem é apaixonado, até que ela passa algum tempo na casa dos Linton e recebe a atenção dos irmãos Edgar e Isabella.

Edgar se apaixona por Catherine, que mudou completamente após a hospedagem na casa da Granja dos Tordos. Agora comporta-se como uma mulher educada e está sempre na companhia dos Linton, fazendo crescer em Heathcliff um ciúmes descomunal.

O enredo é grande e, como eu disse antes, não parece nem um pouco um romance romântico. Você tem um pouco de Catherine e Heathcliff, mas após crescerem, todos eles se casam, um por um, e a história volta-se um pouco para os descendentes.

Apesar de todo a ruindade de Heathcliff, o que me deixa perplexa mesmo é o comportamento de Catherine Earnshaw. Egoísta e egocêntrica, a garota não me dá nenhum motivo para gostar de seu personagem do começo ao fim da história. Até mesmo Hindley muda meu pensamento, de quem, no final, chego a sentir pena. Os Linton me irritaram bastante com sua fraqueza e seu jeito mimados, mas se redimiram ao fim da história, me fazendo até gostar deles.

Então, veio a “segunda geração”. E admito que senti pena de maior parte deles. Não gostava nenhum pouco de Linton Heathcliff, mas pude entender o que o tornou tão chorão e amargo. Catherine Linton era outra mimada e chatinha, mas não posso dizer que não gostava dela.

O único personagem que, estranhamente, gostei do princípio ao fim (excetuando-se a Sra. Dean) foi Hareton Earnshaw, filho do Hindley. Ele era desbocado e rude, a imagem perfeita de Heathcliff, que o influenciou desde sua infância, mas não conseguia deixar de acreditar que ele mudaria.

Apesar da boa escrita, certa criatividade e ótimas descrições de Emily Brontë, acredito que O Morro dos Ventos Uivantes, para mim, foi uma perda de tempo. Chegando à metade da história, quase corri para terminar, porque chegava a não me sentir bem enquanto lia, tamanha era a agonia que senti com o sofrimento e ódio descritos no livro.

Minha nota: 7