Debate: Virgindade

“Sexo é escolha; amor é sorte”

Arnaldo Jabor

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Sexo… ai, o sexo! Estupro mental que invade nossas casas a quase todo instante. Desde as novelas, propagandas e filmes como American Pie, a mídia arreganha lares mundo afora à super idealização de uma mera necessidade fisiológica. O Universo é centrado no sol e o mundo dos homens no pênis (ou vaginas, seios, o que quer que apele à excitação de cada um); foi isso que a sociedade construiu até aqui após a primeira mordida no fruto proibido e não evoluímos muito desde lá: dividimo-nos ainda em santos e profanos, agora, no entanto, com a maldosa novidade de que ambos os lados sofrem preconceito. “E você vai mesmo ouvir conselho da fulana? Ela é uma piranha que só sabe dar para todo mundo!”, “Fala sério que você escuta o que a siclana diz! Ela não sabe nada da vida, é só uma virgem! Converse com uma mulher de verdade.”, não é raro nos depararmos com frases bossais como estas. A verdade é que, independente da época ou do assunto em discussão, ser humano é sempre ser humano e gosta de escrotizar a ideologia divergente para fazer prevalecer a própria. Ah, então é por isso que as virgens chamam as mais liberais de puta e estas, por sua vez, tendem a compará-las a crianças inocentes e bitoladas? Sim, exatamente isso, meu bem. E o pior disso tudo é ver seres pertencentes ao mesmo grupo apontando o dedão um na cara dos outros para depois desejar não serem julgados. Somos todas mulheres, virgens ou não, e, portanto, ainda sofremos muito preconceito no que tange a sexualidade. Já basta que os homens babacas nos meçam por hímen ou número de relações (os válidos não o fazem, pena que são raros), não vamos nós mesmas condenar umas as outras por isso! Qual é, mulherada, cada um com o seu! Ser virgem não te torna mais pura e ser liberal não te torna mais mulher, que palhaçada!

É de conhecimento geral que a virgindade já foi fundamental à vida social feminina há pouquíssimos séculos, décadas, anos. Mulheres, como mercadoria que eram, tinham a qualidade medida por dotes domésticos e “pureza”, assim como a vaca o tem pela carne e pelas tetas; ser virgem era obrigatório. Após a revolução feminina, a invenção da pílula e de demais métodos contraceptivos, um novo horizonte se abriu às mulheres, e muitas o receberam de pernas abertas em resposta; bonito mesmo era ser liberal. Acontece que, como toda liberdade recente, a conquista veio sem freios, juízo, ou qualquer noção de limite: dar é bom, é normal, é certo e aplaudido pela televisão hipócrita, que depois vem fazer campanha de controle de natalidade. Mas será que a sociedade, em seus setores majoritários, realmente seguiu a tendência? Vejamos, homens estão sempre dispostos a defender a liberdade sexual. Claro, querida, são eles os maiores favorecidos por ela; comem mesmo sem limite, divulgam pro povão e saem de gostosos, quer coisa melhor? Paradoxalmente, contudo, na hora de escolher uma parceira fixa, ora, que surpresa! Não é que eles se intimidam com tanta “modernidade”? O preconceito ainda existe e é intenso, só está camuflado por uma liberalidade totalmente ilusória. Prova mais irrefutável disso é virgindade atualmente associada a ser careta. “Ela tem mais de dezoito anos e é virgem? Pff, que ridículo”, “Ai, amiga, dá logo! Não sei por que perde tanto tempo com essa coisa conto de fadas, seja feminista!”, “Você sabe que, se não der, ele vai te trair, né? Homem tem necessidades, coitado”. Ridículo, seja feminista, homem tem necessidades?! Para o bonde que eu quero descer! Que merda de argumentos são esses, cara? Essa é a bagaça do x da questão!

Virgindade virou quase um crime quando cada um deveria ser respeitado pelas decisões que toma, pela ideologia que tem. Por que maiores de idade e pessoas que têm relacionamentos de longa data são obrigados a transar? Mais tosco ainda, por que cismam que as virgens não têm desejos e hormônios, que são frígidas? Virgindade também é por opção, será que é tão difícil aceitar isso? Acredito que sexo é bom quando se está preparado para ele física e mentalmente e essa segurança não vem só com a idade ou o tempo de namoro; varia de pessoa para pessoa. Se beijo com amor é infinitamente mais gostoso que o sem sentimento, por que com o sexo seria diferente? Também fazem parte do ritual dele os olhares, que dizem tudo sem palavras, a troca de carinho, os abraços, dormir juntinho, fazer cafuné, tocar os pés, sorrir ao amanhecer ao lado, dar beijo de bom dia, esperar ansioso pelo regresso do outro só para estar com ele, seja nu ou não; sexo casual é masturbação a dois! Em alguns, os hormônios falam mais alto, e transar é quase tão necessário como oxigênio; respeito e apóio na condição de que a escolha seja feita com estrutura emocional para agüentar as conseqüências (liberar geral e chorar quando é julgada é infantilidade. Tenha peito para bancar que é de vanguarda mesmo e não abaixa a cabeça! Claro, tenha idade para isso, né? Quem não tem nem pentelho não pode pensar em dar, pelo amor de Deus. Tenha a altura exigida para andar no brinquedo, caramba. Falta muita cabeça e amadurecimento reprodutório para poder entrar na ativa, tenha noção e não apresse as coisas.Abreviar a infância por algo idealizado e que você terá a vida toda para fazer é muito triste, troca burra).

Para outros, não é assim tão essencial o tempo todo. Ponham nas cabecinhas que sexo não é um portal para um mundo mágico e cor de rosa, não é a solução milagrosa para segurar homem e nem o que separa as meninas das mulheres. Faça no momento certo, quando estiver preparada caso tudo dê errado: filhos, DST, parceiro que não vale um ticket refeição. Cuide-se sempre, não só com camisinha, espermicida e anticoncepcionais; atente ao máximo para síndrome de Cinderela, maldição de toda mulher romântica, que se apega àquele com quem tem a primeira vez (e, quando ele é um traste, comum de acontecer, acredita sinceramente que conseguirá mudá-lo. Coitada…). Caso não esteja, quem não sabe brincar não desce para o play, né? É isso, já falei demais e ninguém vai ler mesmo. Só nunca esqueçam, sejam virgens ou não, que o fundamental é você amar a si mesma e estar confortável dentro das próprias decisões (e capaz de lidar com os resultados oriundos delas em todos os aspectos). Se não for assim, não façaSeja sexo ou o que for, se não banca, não faça! Simples assim.

Por Marcele Cambeses


Com 20 anos, a carioca e estudante de direito, Marcele Cambeses, é a autora da saga Destino Trocado, publicada em uma comunidade do Orkut. Esse texto foi escrito e postado por ela no tópico de Debates da comunidade de seu livro.

 

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Debates – http://bit.ly/eLQk8N

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Classificados do amor

Procura-se um amor que me trate com carinho. Não precisa ser meloso, nem romântico ao extremo. Só alguém que se lembre das datas importantes, como meu aniversário e nosso aniversário de namoro, e me receba nesses dias um pouco mais amoroso do que o normal. Nem peço presentes caros, pois não procuro namorado rico; nem rosas e chocolates, já que não quero mocinho de cinema. Tudo o que preciso é um selinho, um beijo na testa e um “feliz aniversário”.

Procura-se um amor que me trate com respeito. Não precisa deixar de brigar comigo quando achar que estou errada (eu sei que não sou perfeita), nem quando for para defender suas opiniões, pois não quero homem que tenha medo de dizer o que pensa. Só não quero que levante a mão para mim, pois não aturo homem covarde. Eu acredito na igualdade dos sexos e, por isso, prometo também nunca encostar um dedo sequer exceto para fazer carinho.

Procura-se um amor que ame a si mesmo antes de tudo – de insegura, já basta eu. Não quero homem convencido; aliás, nem precisa ser bonito! Mas um pouco de vaidade cai bem em qualquer um. Estar sempre limpinho, cheirosinho e arrumadinho é um pré-requisito importantíssimo para que eu te dê uma segunda olhada.

Procura-se também um amor que me dê atenção. Não precisa me ligar de cinco em cinco minutos, porque odeio homem grudento, nem me ver todo dia – a saudade dói, mas matá-la é a melhor sensação do mundo! Mas quando estiver comigo, quero que esteja inteiramente ali. E quando estivermos com amigos, não quero que finja que eu não existo. Porém, não quero que os esqueça igualmente; jamais deixarei de lado os meus. O melhor é aprender a dividir o tempo, ou compartilhá-lo.

E esses são os pré-requisitos para meu futuro amor. Eles são um pouco exigentes, mas com tanta gente querendo tudo isso e ainda procurando um homem bonito, rico e ultrarromântico, até que meus pedidos são bem simples, não é?

Se você estiver lendo isso e possuir todas as características, por favor, me procure. Só não prometo que estarei esperando sentada. Não é porque você ainda não me achou, que eu vou parar de me divertir e viver minha vida. Então, corra atrás. Quem sabe a gente não se esbarra por aí?

Querida indecisão

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Ah, querida indecisão que consome e corrói cada parte do meu corpo todos os dias. Dúvidas e perguntas rondam minha cabeça, me tonturam, me torturam, mas a uma decisão não chego.

Ah, querida indecisão que nunca se decide. Já apelei para todos os caminhos: razão, sentimento e até uni-duni-tê. Mas nosso laço é tão forte, tão natural, que esses caminhos se enlaçam e só fazem me confundir ainda mais.

Ah, querida indecisão que já até virou rotina. Acordo ou durmo? Como ou bebo? TV ou internet? Às vezes, a contorno e faço duas opções. Mas, mais para frente, ela se vingará e me fará escolher sem negociação.

Ah, querida indecisão. Minha grande amiga, minha arquiinimiga. Você já faz parte de mim, gravada como uma tatuagem em minha pele, sem chance de estorno. Mas vá embora, não te quero. Porém, fique, já não me vejo sem você. Como faço para escolher?

Ah, querida indecisão. Por que diabos nasceu comigo, minha marca de nascença? Você se infiltrou em meu sangue, envenenou meus sentidos e tomou conta de mim. Agora já não posso mais contigo. Tenho que aprender a viver em seu sentido. Nesse ciclo interminável de sim ou não, isso ou aquilo!

Ah, minha queridíssima maldita indecisão.

O lado bom da vida

Por toda minha vida, sempre que eu estava para baixo, alguém vinha com a famosa frase “veja o lado bom disso”. Nunca aceitei esse lado bom; achava que era a maior besteira, que as pessoas só costumavam me dizer aquilo para levantar meu astral (coisa que, como vocês devem imaginar, não acontecia) e que não era possível haver um lado bom quando uma coisa tão ruim estava acontecendo.

Conforme fui crescendo, aprendi a ver o mundo de uma maneira diferente. Passei por uma situação extremamente complicada e triste em minha vida e fui desestimulada totalmente em acreditar que existisse um lado bom – qualquer que fosse – na vida.

Eu costumo comparar esse período como um mergulho. Eu afundei nas águas de uma piscina, indo cada vez mais fundo, só vendo parede ao meu redor, exceto na superfície, onde outras pessoas conseguiam se divertir sem preocupações. Aquela, porém, era quase uma outra vida, um outro mundo. Uma visão embaçada. Foi quando atingi o fundo, no entanto, que percebi que só sairia dali se fosse em direção àquela superfície tão, aparentemente, distante.

Voltar à superfície foi o modo que minha mente encontrou de parar de se fechar tanto para aquela situação e clarear, se redescobrir. Aos poucos, o medo foi passando e o lado bom – sim, ele mesmo! – de tudo o que acontecera comigo finalmente se fez presente. Ou, pelo menos, visível. E é aí que começam as suposições.

Se eu não tivesse passado por tudo aquilo, eu nunca teria amadurecido tanto. Poderia ter me misturado com certas pessoas que na época eu “admirava” e me tornado fútil e completamente oca. Se eu não tivesse sofrido tudo o que sofri, nunca teria aprendido a me livrar dos meus sentimentos com a escrita. Poderia ter esquecido esse meu talento, o deixado de lado para sair, beber e não me preocupar com os estudos.

Em vez disso tudo, relembrei de minha maior paixão, me agarrei aos meus livros, conheci visões e conceitos diferentes de vida e aprendi a pensar por mim mesma, sem me deixar levar pelo que os outros acham.

Posso não ter conseguido chegar totalmente à superfície ainda, mas, com certeza, já aprendi o suficiente para entender que tudo na vida acaba levando a um propósito, seja ele bom, seja ele ruim. Porque, no final das contas, todos os acontecimentos são um aprendizado. E pode até ser que você não veja isso agora, mas, no futuro, quando chegar à sua superfície, vai piscar os olhos e ver tudo o que, debaixo d’água, sua mente te impediu de enxergar.